A história do Centro
Histórico de Porto Alegre contada a partir de onde principia o desenvolvimento:
a iluminação pública e as fontes de energia. Este é o tema da exposição
sensorial de percurso Viagem ao Centro da Luz, patrocinada pelo Grupo CEEE e
realizada pelo Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) e pelo Museu da
Eletricidade do Rio Grande do Sul (MERGS), inaugurada no dia de 24 de novembro e
que se extende até maio de 2010, coincidindo com a semana de aniversário
dos 238 anos de Porto Alegre. Nela, o visitante é conduzido por 180 anos da
história porto-alegrense, o que abrange, além da iluminação e da eletricidade,
os costumes, a estética, a cultura, a literatura e a publicidade, somados a
locuções de rádio e músicas característicos de cada período histórico. No
decorrer do trajeto, cada época é ilustrada com cenário, sons e iluminação
fidedignos à ordem cronológica enfocada, o que possibilita a sensação de
pertencimento a cada era do desenvolvimento urbano de Porto
Alegre.
Viagem ao Centro da Luz abarca desde os primeiros
postes de iluminação a óleo de baleia, datados da década de 1830, até os dias
atuais, passando pela história do primeiro luminoso publicitário da cidade, em
1929, com a inscrição Força e Luz, o qual fora destaque na edição de 2 de maio
daquele ano, do jornal A Federação. “O annuncio luminoso “Força e Luz”,
inaugurado antehontem, é constituído por 969 lampadas de cores branco, verde e
encarnado, as quaes accendem e apagam continuamente, pelo systema corrido. Foi
elle confeccionado no Rio de Janeiro, pela firma Burren & Cia., com material
exclusivamente nacional, inclusive as lampadas, que são da fabrica Edison
Mazda”, conforme trecho da notícia veiculada à época. Ao final do percurso, um
filme produzido pelo CCCEV, com colagem de notícias e dados estatísticos sobre o
consumo de energia no Rio Grande do Sul, nas três últimas décadas, irá promover
reflexões sobre o desenvolvimento e os incidentes, excessos e desperdícios
decorrentes do progresso. O filme engloba fatos marcantes sobre o tema, como os
apagões ocorridos em 2001 e recentemente, em novembro deste ano, e a seca no
Estado, que ocasionou o ineficiente funcionamento das usinas hidrelétricas no
início desta década, entre outros
episódios.
A exposição inicia com percurso histórico até a
chegada da energia elétrica e a conseqüente expansão do desenvolvimento,
abrangendo as iluminações a óleo de baleia e a gás, sucedidas pela pujança
obtida com o advento da eletricidade, a qual possibilitou a iluminação
incandescente e as diferentes tecnologias atuais de iluminação. Com farta
documentação, a exposição também irá contar a história do prédio Força e Luz,
que atualmente abriga o CCCEV e o MERGS. Construído entre os anos de 1927 e
1929 pelo engenheiro Adolfo Stern, recebeu a inscrição Força e Luz na
fachada, em 1929. Inicialmente, a obra tinha como objetivo ampliar as
dependências do famoso Clube dos Caçadores, ponto de encontro obrigatório de
políticos e intelectuais, então utilizado como casa de jogos e cognominado
“Palácio das Lágrimas”, em virtude dos lamentos e prantos dos apostadores que
perdiam seu dinheiro no clube. À época, o edifício posteriormente denominado
Força e Luz funcionava como um varietá e era considerado um dos maiores
clubes noturnos da América Latina, abrigando um sofisticado restaurante e apresentações artísticas. Um túnel ligava o restaurante e o
palco de shows até a sala de jogos, situada nos fundos do prédio. Todas as
noites vedetes impressionavam a platéia com seus números de burlesco e eram
servidos requintados jantares no
restaurante.
Os primeiros registros nos jornais locais sobre o
clube noturno datam de 1917. O trecho de um artigo publicado na Revista Máscara,
de 1922, e que será reproduzido parcialmente na exposição, fornece subsídios
acerca do fascínio exercido pelo célebre recanto. “Tendo sempre em contracto
formosas contatrices, de
nacionalidades diversas, organisa seguidamente excellentes programas de canto,
com que atrahe numerosa assistencia ao elegante écran do sympathico cabaret”. Esta e
outras notícias, além de anúncios publicitários do clube e de depoimentos, como
o do saudoso rei da noite Carlos Machado, o “Machadinho”, estarão disponíveis
para a admiração do público.
Em 1929, o prédio passou a abrigar a Companhia de Energia Elétrica
Rio-Grandense (CEERG), empresa de capital estadunidense, que recebeu a concessão
dos serviços de energia elétrica na capital gaúcha. A CEERG estava ligada a
Companhia Brasileira de Força Elétrica, instalada no Rio de Janeiro e
pertencente à American & Foreign Power Co. (Amforp), do grupo da Eletric
Bond & Share Corp. Em 1959, através do Decreto nº 10.466, assinado pelo
então governador Leonel Brizola, foram encampados os contratos de concessão e
declarados de utilidade pública, para fins de desapropriação, os bens aplicados
pela CEERG nos serviços de eletricidade de Porto Alegre e Canoas. Denominada à
época Comissão Estadual de Energia Elétrica, a CEEE era então uma autarquia e
assim continuou até 1963. Da década de 70 até o ano de 1998, o prédio operava
como agência de pagamentos de contas de luz e abrigava serviços administrativos
da empresa, tendo retomado seu funcionamento após a reciclagem do edifício, em
2002, com patrocínio integral do Grupo CEEE, através da Lei de Incentivo à
Cultura.
A eletricidade e o progresso vistos de forma
poética
Uma visita pelo verdadeiro “túnel do tempo” que é
Viagem ao Centro da Luz jamais estaria completa sem referências às correntes
literárias de outrora, com sua escrita peculiar e descrição de passagens
singelas, porém repletas de evidências sobre o quotidiano dos moradores do
Centro e sua interface com o avanço tecnológico. Na exposição, a energia
elétrica e a iluminação também são examinadas sob o enfoque da sensibilidade,
como é o caso dos escritores gaúchos Achylles Porto Alegre (1848-1926) e Athos
Damasceno Ferreira (1902-1975), os quais utilizaram o progresso como uma das
fontes de inspiração para poemas e crônicas.
Viagem ao Centro da Luz também presta uma
homenagem a primeira sala de cinema com programação fixa de Porto Alegre, o Cine
Recreio Ideal, fundado em 1907 e que, nos idos das décadas de 10 e 20, tinha
como proprietário o advogado Francisco Damasceno Ferreira (1875-1953), um
dos visionários empresários da época que apostaram na Sétima Arte. Fotos de
época e referências aos recursos empregados no início do século, como o uso do
piano para envolver os espectadores, irão contribuir para transportar o
visitante rumo à era inicial das salas de cinema e para inseri-lo ainda mais no
clima nostálgico da história do Centro da cidade nos últimos 180 anos.
Proprietário da Cia. Damasceno Ferreira e representante da Cia.
Cinematográfica Brasileira, Francisco detinha uma série de salas na cidade, a
exemplo do Cine Avenida, localizado à Rua da Ladeira e inaugurado com o filme Quo Vadis, e do Força e Luz –
coincidência ou não homônimo do prédio que atualmente abriga o CCCEV e o MERGS.
Um dado curioso é que o seu escritório de advocacia estava situado ao lado do
Clube dos Caçadores, na Rua Nova (atual Andrade Neves). Neste período de cinema
mudo, quando os artistas mais famosos da época eram Theda Bara, ícone da beleza
vamp, Bela Hisperia, e Tulio
Carminatti, Damasceno fundou, ainda, cinemas no interior do Estado, nas cidades
de Pelotas, Santa Maria, Rio Pardo e Caxias do Sul. A segunda esposa de
Francisco, Emma Augusta Barth Besseler (1897-1994), trabalhava como pianista nas
soirées do Recreio Ideal.
Cada
itinerário monitorado de Viagem ao Centro da Luz comportará um grupo de até 12
visitantes. O público excedente deverá retirar senhas no local para acompanhar o
próximo contingente da visita guiada. É possível, ainda, agendar visitas para
escolas e grupos de visitantes, através do telefone (51) 3221-6872 e do e-mail
museu@ceee.com.br A entrada é franca e o horário de visitação, em fevereiro é das
10h às 19h, de segunda a sexta-feira. Em março, o CCCEV volta a funcionar de
terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às
18h.
O que: exposição sensorial de percurso
Viagem ao Centro da Luz.
Quando: de 24 de novembro a
maio.
Quanto: entrada
franca.
Onde: 2º andar do Centro Cultural CEEE
Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro
Histórico.
Patrocínio: Grupo
CEEE.
Realização:
CCCEV.
Obs.: cada itinerário
monitorado comportará um grupo de até 12 visitantes. O público excedente deverá
retirar senhas no local para acompanhar o próximo contingente da visita guiada.
É possível, ainda, agendar visitas para escolas e grupos de visitantes, através
do telefone (51) 3228-9710 e do e-mail museu@ceee.com.br