
O escritor brasileiro Erico Verissimo nasce em
Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro de 1905, filho do
farmacêutico Sebastião Verissimo e da dona-de-casa Abegahy Lopes Verissimo,
ambos de tradicionais famílias gaúchas. Os planos do pai para o filho Erico
eram para que fosse estudar na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Mas quando
chega aos 18 anos, a situação financeira da família é grave.
Dona Abegahy começa a trabalhar, costurando para
fora, e o jovem Erico vai para Porto Alegre estudar no Colégio Cruzeiro do Sul.
Quando retorna a Cruz Alta, começa a trabalhar num armazém. Depois em um banco,
onde consegue guardar uma quantia razoável para tornar-se sócio de uma farmácia.
O empreendimento fracassa, mas Erico conhece
Mafalda Halfen Volpi, a moça que morava em frente à farmácia.
Como a farmácia não ia bem, monta nos fundos uma
escola de inglês, que se torna ponto de encontro de estudantes e pensadores da
época. Assim, Erico pôde ter mais contato com as coisas que lhe davam prazer: a
literatura e a arte. Em Porto Alegre, procura sempre um grupo de amigos da
revista Madrugada. São eles que conseguem a publicação de seus contos e desenhos
nas páginas dos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias. Em 1930, muda-se
para Porto Alegre e passa a conviver com escritores renomados. No final do ano,
é contratado para ocupar o cargo de secretário de redação da Revista do Globo e,
no dia 15 de julho de 1931, casa-se com Mafalda.
Em 1932,
reúne seus contos e publica sua primeira obra: "Fantoches". Um ano depois, é a
vez do romance "Clarissa", muito bem recebido pela crítica. Em 1935, ano do
nascimento de sua primeira filha, Clarissa, lança "Caminhos Cruzados". A
consagração da obra vem com o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de
Letras. No mesmo ano, tira primeiro lugar no Grande Prêmio de Romance Machado de
Assis, da Companhia Editora Nacional para obras inéditas, com o título "Música
ao Longe" e publica a biografia "A Vida de Joana D'Arc". Em 1936, o nascimento
de seu filho Luis Fernando coincide com o lançamento de seu primeiro livro
infantil, "As Aventuras do Avião Vermelho", e de "Um Lugar ao Sol", um retrato
dos duros tempos de Cruz Alta. Cria também um programa de auditório para
crianças na Rádio Farroupilha, "Clube dos Três Porquinhos".
"Aventuras de Tibicuera", livro infantil que lhe
garante o prêmio do Ministério da Educação, sai em 1937. "Olhai os Lírios do
Campo", um de seus maiores sucessos, é publicado em 1938 e atinge a tiragem de
62 mil exemplares. O próximo livro é "Saga", que proporciona ao escritor sua
primeira noite de autógrafos.
Em 1941, Erico passa três meses nos Estados
Unidos, a convite do Departamento de Estado, e profere conferências em várias
cidades americanas. Suas impressões sobre o país estão em "Gato Preto em Campo
de Neve". No ano seguinte, a obra "O Resto é Silêncio" sofre duras críticas do
clero. A discordância com a ditadura Vargas faz o escritor aceitar o convite
para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia, nos Estados
Unidos, e muda-se com toda a família para Berkeley.
Logo recebe o
título de Doutor Honoris Causa do Mills College, de Oakland e seus romances
"Caminhos Cruzados", "O Resto é Silêncio" e "Olhai os Lírios do Campo" são
editados nos Estados Unidos. Mais tarde suas obras são traduzidas para francês,
alemão, espanhol, finlandês, holandês, húngaro, indonésio, italiano, japonês,
norueguês, polonês, romeno, russo, sueco e tcheco, o que fez de Erico Verissimo
um dos escritores brasileiros mais lidos no mundo. No retorno ao Brasil, lança
"A Volta do Gato Preto", um livro de observações sobre a vida americana.
"O Tempo e o Vento", a obra que tanto sonhara,
começa a ser escrita em 1947 e se transforma na trilogia apontada pela crítica
como seu maior sucesso. Erico escreveu durante 15 anos a saga das famílias Terra
e Cambará entre os anos de 1745 e 1945 sob três títulos: "O Continente", "O
Retrato" - escrito em 1950 - e "O Arquipélago".
Em 1953, a família Verissimo retorna aos Estados
Unidos e Erico assume, em Washington, a direção do Departamento de Assuntos
Culturais da União Panamericana, na Secretaria da Organização dos Estados
Americanos. Quando sua filha Clarissa casa-se, em 1956, com o americano David
Jaffe, a família retorna ao Brasil. Mas em seguida parte para conhecer o México,
o que resulta em uma obra de impressões sobre o país.
Com a mulher Mafalda e o filho Luis Fernando,
Erico viaja, em 1959, para a Europa, onde faz palestras em Portugal nas quais
defende a democracia, o que provoca choque com a ditadura salazarista. Este
momento resulta em outro livro, "O Ataque". Nele estão reunidos três contos -
"Sonata", "Esquilos de Outono" e "A Ponte" - e um trecho inédito de "O
Arquipélago". Ele faz parte da coleção Catavento, da Editora Globo. No retorno
ao Brasil, passam uma temporada com a filha em Washington, onde nascem seus três
primeiros netos - Michael, Paul e Edward - entre 1958 e 1962.
Em 1961,
quando escrevia a última parte da trilogia "O Tempo e o Vento", Erico sofre o
primeiro infarto. Durante o período de recuperação, de quase um ano, faz as
correções finais de "O Arquipélago". Em 1963 morre sua mãe, Abegahy. O golpe
militar de 1964 inspira "O Senhor Embaixador", lançado em 1965 no Rio de
Janeiro, onde Luis Fernando e Lúcia Helena Massa haviam se casado, um ano antes.
Dessa união nascem Fernanda, Mariana e Pedro.
O escritor ganha o Prêmio Jabuti, na categoria
romance, da Câmara Brasileira do Livro por "Senhor Embaixador" e visita Israel,
que rende mais um diário de viagem. "O Prisioneiro" é lançado em 1967 e a
Editora José Aguilar, do Rio de Janeiro, publica sua obra em cinco volumes, dos
quais faz parte uma autobiografia com o título "O Escritor Diante do Espelho".
Em 1968, é agraciado com o título de Intelectual do Ano, que lhe dá o troféu
Juca Pato, em concurso promovido pela União Brasileira de Escritores. Em 1971,
publica "Incidente em Antares".
Os dois anos seguintes trouxeram mais
condecorações: o Prêmio do Pen Club (Personalidade Literária do Ano) e o Prêmio
Literário da Fundação Moinhos Santista, para o conjunto da obra. Em 1973, são
editados o primeiro volume de suas memórias sob o título "Solo de Clarineta", e
"O Contador de Histórias", uma homenagem aos 40 anos de atividade do escritor,
reunindo depoimentos dos principais críticos brasileiros sobre Erico. Em 28 de
novembro de 1975, não sobrevive a mais um infarto e deixa inacabado "Solo de
Clarineta", que faria parte de mais uma trilogia. Várias de suas obras são
adaptadas para a televisão e o cinema, com maior destaque para "O Tempo e o
Vento".
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