Biografia

Foto de Leonid Streliav

ERICO VERISSIMO

 

Nasceu em Cruz Alta em 17 de dezembro de 1905, onde morou até os 25 anos. Casou com Mafalda Halfen Volpe, a quem creditava papel fundamental em sua vida. Tiveram dois filhos, Clarissa e Luiz Fernando, e seis netos. Pertence ao seleto grupo de escritores brasileiros de grande reconhecimento. É, ao lado de Jorge Amado, Graciliano Ramos e José Lins do Rego, uma das vozes mais representativas no Século XX. Teóricos internacionais avaliam sua trilogia, O Tempo e o Vento, como obra expoente no romance épico.

Mudou-se para Porto Alegre, em 1931. Publicou seu primeiro livro, Fantoches, uma coletânea de contos em 1932. Clarissa foi seu romance de estreia, seguido por Caminhos Cruzados e Olhai os Lírios do Campo, inaugurando o sucesso editorial.

Ao longo de sua carreira escreveu 36 obras, entre romances, novelas, contos, memórias, narrativas infanto-juvenis e de viagens. Criou o Clube dos Três Porquinhos, na Rádio Farroupilha, cuja experiência gerou diversas obras infantis. Destaque para As Aventuras do Avião Vermelho, Os Três Porquinhos Pobres e O Urso com Música na Barriga.

Morou nos EUA por duas vezes, experiência que rendeu romances como O Senhor Embaixador e O Prisioneiro, e livros de depoimentos e entrevistas como Gato Preto em Campo de Neve e A Volta do Gato Preto. Além disso, visitou diversos países, registrados em narrativas de viagem como México, e Israel em Abril. É um dos autores brasileiros mais conhecidos no exterior, com obras editadas em mais de 15 idiomas. Porém, ainda mais distintivo é o fato de ter sido um escritor profissional, isto é, com a vida exclusivamente dedicada aos livros, à escrita e à literatura.

Sua obra maior, a trilogia O Tempo e o Vento (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), escrita entre 1947 e 1962, recupera duzentos anos de história do Rio Grande do Sul. São páginas que inscrevem nomes como Ana Terra e Capitão Rodrigo Cambará entre as grandes personagens de nossa literatura. A novela Noite, os romances Incidente em Antares e O Senhor Embaixador, além de sua autobiografia Solo de Clarineta, cuja segunda parte é publicada após seu falecimento em 28 de novembro de 1975, coroam uma atuação ímpar no cenário literário brasileiro.



1905

Erico Verissimo nasce em Cruz Alta em 17 de dezembro. Filho de Abegahy Lopes Verissimo e Sebastião Verissimo. Completa a família seu irmão Enio e irmã adotiva, Maria.

1920
Estuda, em regime de internato, no Colégio Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre.

1922
Seus pais separam-se em dezembro. A mãe e os irmãos vão morar na casa da avó materna. Para ajudar no orçamento doméstico, Erico torna-se balconista no armazém do tio Americano Lopes. Os tempos difíceis não o separam dos livros: lê, faz traduções de trechos de escritores ingleses e franceses e começa a escrever, escondido, seus primeiros textos. Vai trabalhar no Banco Nacional do Comércio.

1924
Mãe e filhos mudam-se para Porto Alegre. Infelizmente a mudança não dá certo e a família retorna a Cruz Alta.

1925
Erico volta a trabalhar no Banco do Comércio, como chefe da Carteira de Descontos. Toma gosto pela música clássica erudita, que passa a ouvir na casa de seus tios Catarino e Maria Augusta. Seus primos, Adriana e Rafael, filhos do casal, seriam os primeiros a ler seus escritos.

1926
Percebendo que a vida de bancário não o satisfaz, mesmo sem muita certeza de sucesso, aceita a proposta de Lotário Muller, amigo de seu pai, de tornar-se sócio da Pharmacia Central, em Cruz Alta.

1927
Além dos afazeres de dono de botica, dá aulas particulares de literatura e inglês. Começa a namorar sua vizinha, Mafalda Halfen Volpe, de 15 anos.

1929
O mensário “Cruz Alta em Revista” publica Chico: um conto de Natal. O conto Ladrão de gado é publicado na “Revista do Globo”, em Porto Alegre. Erico remete a De Souza Júnior, diretor do suplemento literário do Correio do Povo, o conto A lâmpada mágica, que, publicado, dá ao autor notoriedade no meio literário local.

1930
Com a falência da farmácia, Erico muda-se para Porto Alegre disposto a viver de seus escritos. Passa a conviver com escritores já renomados, como Mario Quintana, Augusto Meyer, Guilhermino Cesar e outros. No final do ano é contratado para ocupar o cargo de secretário de redação da Revista do Globo.

1931
Casa-se, em Cruz Alta, com Mafalda Halfen Volpe.

1931
A Seção Editora da Livraria do Globo lança a primeira tradução de Erico, O sineiro, de Edgar Wallace. No mesmo ano, traduz desse escritor O círculo vermelho e A porta das sete chaves.

1932
É promovido a Diretor da Revista do Globo, ocasião em que é convidado por Henrique Bertaso, gerente do departamento editorial da Livraria do Globo, a atuar naquela seção, indicando livros para tradução e publicação.

Estréia de Erico com Fantoches, uma coletânea de histórias em sua maior parte na forma de peças de teatro. Foram vendidos 400 exemplares dos 1.500 publicados. A sobra, um incêndio queimou.

1933
Clarissa é lançado com tiragem de 7.000 exemplares. Traduz Contraponto, de Aldous Huxley, que só seria editado em 1935.

1935
Nasce sua filha Clarissa. Realiza sua primeira viagem ao Rio de Janeiro (RJ), onde faz contato com Jorge Amado, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Carlos Drummond de Andrade, José Lins do Rego e outros mais. Seu pai falece. É eleito presidente da Associação Rio-Grandense de Imprensa.

1935 a 1939

Erico publica histórias para crianças e jovens, coincidindo com a infância de seus filhos.

LITERATURA INFANTO-JUVENIL

A Vida de Joana D’Arc – 1935
As Aventuras do Avião Vermelho – 1936
Os Três Porquinhos Pobres – 1936
Rosa Maria no Castelo Encantado – 1936
Meu ABC – 1936
As Aventuras de Tibicuera – 1937
O Urso com Música na Barriga – 1938
A Vida do Elefante Basílio – 1939
Outra Vez os Três Porquinhos – 1939
Viagem à Aurora do Mundo – 1939
Aventuras no Mundo da Higiene – 1939

1935
Publica a continuação da história de Clarissa em Música ao Longe, Prêmio Machado de Assis,
da Cia. Editora Nacional. Lança Caminhos Cruzados. O autor admite a associação desse romance a Contraponto, de Aldous Huxley, o que faz com que seja mal recebido pela direita e atice a curiosidade e a vigilância do Departamento de Ordem Política e Social do Rio Grande do Sul, que chegou a chamá-lo a depor, sob a acusação de comunismo. Recebe o Prêmio Fundação Graça Aranha por este romance.

1936
Nasce seu filho Luis Fernando.

As principais personagens de Música ao Longe e de Contraponto reaparecem em Um Lugar ao Sol. Lança a revista A novela, que oferecia textos canônicos ao lado de outros, de puro entretenimento.

1938
Publica Olhai os Lírios do Campo, um de seus maiores sucessos editoriais e de tradução.

1936

Cria o programa de auditório para crianças, Clube dos três porquinhos, na Rádio Farroupilha, a pedido de Arnaldo Balvé. Dessa idéia surge a Coleção Nanquinote, com os livros Os Três Porquinhos Pobres, Rosa Maria no Castelo Encantado e Meu ABC. O DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, exige que o autor submeta previamente àquele órgão as histórias apresentadas no programa de rádio por ele criado. Resistindo à censura prévia, encerra o programa em 1937. Outra reação ao nacionalismo ufanista da ditadura Vargas se faz sentir na versão paradidática da história do Brasil em As Aventuras de Tibicuera.

1939
Erico passa a dedicar a maior parte de seu tempo ao departamento editorial da Globo. Em companhia dos amigos Henrique Bertaso e Maurício Rosenblatt, é responsável pelo sucesso estrondoso de coleções como Nobel e Biblioteca dos Séculos, nas quais eram encontradas traduções de textos de Virginia Woolf, Thomas Mann, Balzac e Proust.

1940
A publicação de Saga proporciona a Erico a primeira noite de autógrafos na Livraria Saraiva em São Paulo. Traduz Ratos e homens, de John Steinbeck; Adeus Mr. Chips e Não estamos sós, de James Hilton; Felicidade e O meu primeiro baile, de Katherine Mansfield.

1941
Publica Gato Preto em Campo de Neve, a partir da experiência norte-americana.

1941
Erico passa três meses nos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado americano, proferindo conferências. As impressões dessa temporada estão em seu livro Gato Preto em Campo de Neve. Ele e seu irmão Enio são testemunhas de um suicídio quando conversavam na praça da Alfândega, em Porto Alegre: uma mulher se atira do alto de um edifício. Esse acontecimento é aproveitado em seu livro O Resto é Silêncio.

1942
A censura no Estado Novo continuava atenta. A Globo cria a Editora Meridiano, uma subsidiária secreta para lançar obras que pudessem desagradar o governo.

Erico lança a coletânea de contos As Mãos de meu Filho, pela editora Meridiano.

1943
Temendo que a ditadura Vargas viesse a causar-lhe danos e à sua família, Erico aceita o convite para lecionar Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia, feito pelo Departamento de Estado americano. Muda-se para Berkley com toda a família.

É editado O Resto é Silêncio, romance em que Erico parte da tragédia presenciada com o irmão para criar a história de Tônio Santiago.

1944
O Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil, confere a Erico o título de doutor Honoris Causa.

1945
Erico faz conferências em diversos estados americanos. Retorna ao Brasil.

É publicado nos Estados Unidos da América Brazilian Literature an Outline, baseado em palestras e cursos ministrados durante a estada de Erico na Califórnia. No Brasil, sai em 1995, com o título Breve História da Literatura Brasileira.

1946
Erico escreve A Volta do Gato Preto, mais reflexões sobre sua passagem pelos EUA.

1947
Inicia a escritura de O tempo e o vento. Previsto para ter um só volume, acabou ultrapassando as 2.200 páginas, sob a forma de trilogia, consumindo 15 anos de trabalho. É feita a primeira adaptação para o cinema de uma obra de autoria de Erico: Mirad los lírios del campo, produção argentina, dirigida por Ernesto Arancibia.

Traduz Mas não se mata cavalo, de Horace McCoy.

1948
Dedica-se a ordenar as anotações que vinha guardando há tempos e dar forma ao romance O Continente.

1949
Erico coordena a comitiva que recebe o escritor franco-argelino Albert Camus, em sua passagem por Porto Alegre.

Erico lança O Continente, primeira parte da trilogia O tempo e o vento, muito bem recebido pela crítica.

1951
Erico lança O Retrato, segunda parte da trilogia O tempo e o vento.

1953
Erico assume, a convite do governo brasileiro, em Washington, EUA, a direção do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana, na Secretaria da Organização dos Estados Americanos, substituindo Alceu Amoroso Lima.

1954
É agraciado com o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Visita diversos países da América Latina, proferindo palestras e conferências, face às funções assumidas junto à OEA.

Publica Noite, novela que não agrada o público, que esperava a conclusão da trilogia.

1956
A família Verissimo volta ao Brasil. Sua filha Clarissa casa-se com David Jaffe e vai morar nos Estados Unidos. Dessa união nasceram seus netos Michael, Paul e Eddie.

É lançada a coletânea Gente e Bichos, reunindo seus textos para crianças.

1957
Sai México, impressões de sua viagem a este país.

1958
Começa a escrever O Arquipélago, terceiro livro da trilogia O tempo e o vento.

1959
Acompanhado de sua mulher e do filho Luis Fernando, Erico faz sua primeira viagem à Europa. Expõe sua defesa à democracia em palestras proferidas em Portugal e entra em choque com a ditadura salazarista. Passa uma temporada na casa de sua filha, em Washington, EUA.

É publicado O Ataque, que reúne três contos: Sonata, Esquilos de outono e A ponte, além de um capítulo inédito de O Arquipélago.

1961
Erico sofre o primeiro infarto do miocárdio. Após dois meses de repouso absoluto, volta aos Estados Unidos com sua esposa.

Sai o primeiro tomo de O Arquipélago, última parte da trilogia O tempo e o vento.

1962
O casal Verissimo visita França, Itália e Grécia.

O último tomo de O Arquipélago é publicado, concluindo o projeto de O tempo e o vento. O volume é considerado uma obra-prima.

1963
Morre sua mãe, D.Bega.

1964
Seu filho Luis Fernando casa-se com Lúcia Helena Massa, no Rio de Janeiro, cidade para a qual ele se mudara em 1962. Dessa união nasceram Fernanda, Mariana e Pedro. Erico insurge-se contra o golpe militar e dirige manifesto a seus leitores em defesa das instituições democráticas. Recebe o título de Cidadão de Porto Alegre, conferido pela Câmara de Vereadores.

1965
O casal volta aos Estados Unidos para temporada com a filha e os netos.

Aproveitando sua experiência no mundo diplomático, Erico escreve O Senhor Embaixador, que ganha o Prêmio Jabuti, categoria Romance, da Câmara Brasileira de Livros.

1966
A convite do governo de Israel, Erico visita aquele país. Vai aos Estados Unidos, mais uma vez, visitar seus familiares.

A Editora José Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, em cinco volumes, o conjunto de sua ficção completa, do qual faz parte uma pequena autobiografia do autor, sob o título O Escritor diante do Espelho.

1967
Estréia na TV Excelsior O tempo e o vento, sob a direção de Dionísio Azevedo, com adaptação de Teixeira Filho.

A partir da temática da intervenção norte-americana nos países asiáticos, Erico publica O Prisioneiro.

1968
Erico é agraciado com o prêmio Intelectual do ano, Troféu Juca Pato, em concurso promovido pela Folha de São Paulo e pela União Brasileira de Escritores.

1969
A casa onde Erico nasceu, em Cruz Alta, é transformada em Museu Casa de Erico Verissimo.

Encantado com a visita à Israel, Erico lança Israel em Abril.

1971
Erico publica Incidente em Antares, sem submeter os originais à censura prévia.

1972
Escreve Um Certo Henrique Bertaso, biografia sobre o fundador da Editora Globo.

Comemorando os 40 anos de lançamento de seu primeiro livro, relança Fantoches, no qual Erico acrescenta notas e desenhos.

1973
Amplia sua autobiografia, publicada em 1966 pela editora Nova Aguilar, fazendo surgir suas memórias, sob o título de Solo de Clarineta.

1975
Erico morre subitamente no dia 28 de novembro, deixando inacabada a segunda parte do segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria A hora do sétimo anjo.

É lançado Solo de Clarineta 2, segundo volume de Memórias, edição póstuma, organizada por Flávio Loureiro Chaves (Póstuma - 1976).